Entrevista: Arthur Dossa (The Raulis)

“Uma das músicas do disco novo foi feita num esquema meio serviço postal”

Raynaia Uchôa conversou com o guitarrista da banda The Raulis, Arthur Dossa, sobre o surgimento do grupo, o processo criativo, a sonoridade e as novidades para esse ano. Confira a entrevista!

 

A banda The Raulis é formada por integrantes das bandas Nuda, Joseph Tourton, AMP e Mabombe. Vocês já se conheciam? Como surgiu esse projeto?

Nós já nos conhecíamos sim. Eu toco na AMP, o baterista, Antônio Marques, toca na Mabombe e nós dois já tocávamos juntos na Nuda. Eu tinha um estúdio na Rua da Aurora e a galera da Joseph Tourton sempre aparecia por lá. Começamos a fazer o som de maneira totalmente despretensiosa, tocando uns clássicos do surf music e umas cumbias que a gente gostava, se reunindo nos horários livres lá no estúdio.

De onde veio a inspiração e influência da banda ao misturar o “surf music” com ritmos latinos?

Na real a gente sempre achou que eram ritmos complementares. Bandas que a gente gosta como The Pops já faziam umas misturas no surf music com outros ritmos, como por exemplo, o samba e o brega. Os Incríveis também. Aqui em Recife a gente curte bastante a Academia da Berlinda, que tem uma atmosfera surf no som. A ideia foi tocar coisas que a gente curtia e saiu isso aí, hehehe!

Como você sente a recepção do público?

Acho que o público gosta. Geralmente o feedback é massa!

Onde foi a primeira apresentação de vocês?

A primeira apresentação foi no casamento de um casal amigo nosso, kkkkkkkk. Foi o nosso presente de casamento para os noivos!

É difícil conseguir espaço para tocar no Recife?

Recife não tem muitos lugares que recebem bandas autorais com uma certa estrutura. As bandas precisam se virar e bolar seus próprios eventos, agitar a cena. A ideia é estar sempre fazendo shows e quando não nos chamam para tocar, nós organizamos o nosso próprio show.

Em março de 2015 vocês lançaram o primeiro EP com participação especial de diversos músicos como Pedro Penna, Djalma Rodrigues, Parrô Melo e André Sette. Como foi juntar todo mundo?

Quando fizemos a gravação das bases do EP mostramos para alguns amigos e a galera foi pilhando em participar. “Tem espaço pra uma outra guitarra?”, “Vamo botar uma metaleira!”, diziam. Os amigos foram instigando e naturalmente foi rolando.

A arte da capa do EP tem uma pegada bem psicodélica, inclusive se parece muito com a máscara que você utiliza nos shows. De quem é a arte?

Desde o início da banda eu toco com a mesma máscara. È um clássico do surf músicos mascarados. A capa foi feita por Caramurú Baungardtner, ele é um grande amigo pessoal. Quando terminei de mixar o EP mostrei pra ele e ele pilhou total em fazer a capa. Dois dias depois ele me mostrou a capa já pronta.

A gente pode esperar novidades da The Raulis para o ano de 2017?

Estamos finalizando nosso primeiro álbum. Algumas músicas já estão no processo de mixagem e tá ficando muito massa. Pretendemos lançar ainda no primeiro semestre.

Além das músicas novas, o álbum também contará com participações especiais?

O álbum terá 11 faixas, todas inéditas. Teremos algumas participações sim, como Gustavo Cék e Romulo Nardes da Bixiga70, Chiquinho Moreira e Felipe S da Mombojó, Jam da Silva, Yuri Queiroga…

Atualmente você, Gabriel e Rafa moram em São Paulo, e Toninho e Laga moram no Recife. A distância atrapalha no processo de composição?

O processo criativo desse álbum foi todo feito no Recife. Algumas músicas tinham alguma parte já feita por mim ou por algum dos meninos, depois terminávamos no estúdio. Outras foram fruto de jams nos ensaios. A gente gravava tudo e depois selecionava o melhor delas. Não acho que a distância atrapalhe, até porque quase sempre estamos tocando juntos. Uma das músicas do disco novo foi feita num esquema meio serviço postal, heheheh. Gabriel mandou um pedaço da ideia de São Paulo e a gente terminou a música no Recife.

Como vocês pretendem disponibilizar o álbum?

A ideia é distribuir online em tudo que é plataforma, como fizemos com o EP. Seria lindo um vinil do disco, quem sabe?

O que tem acontecido por aí, em São Paulo?

Fizemos três shows desde que voltamos para São Paulo, em março. Foram no Pico do Macaco, Movido Estúdio e no meio da rua no Largo da Batata. Aqui tem sido massa! Todo show leva a uma pessoa nova, uma proposta nova de outro show. Em abril demos um giro e tocamos pela primeira vez em Belo Horizonte.