Sobre minha recente-antiga paixão por Martins

Martins. foto: André Sidarta

 

No início do ano, uma amiga postou no Facebook um vídeo de um cantor até então desconhecido pra mim. Era Martins, tocando a música “A gente se aproveita”. O vício que se instalou em mim a partir daí foi tão instantâneo quanto crack: bastou ouvir uma vez para querer mais, mais, mais. Essa mesma música ouvi em replay vezes suficientes para sentir que já fazia parte da minha vida desde muito tempo. E então fui explorar outras coisas dele, descobrindo as igualmente viciantes “Queria ter pra te dar” e “Amor que fere e arde”; poesias, sobretudo. Também ouvi infinitas vezes, desde então. Em vários volumes, em vários humores. E canto como se fossem minhas: apropriei-me das músicas e devoro-as sem pudores, toda vez.

Sinto que estabeleço com a música uma relação erótica, no sentido platônico do termo, em que Eros remete ao desejo por aquilo que nos falta. Busco que a música me revele coisas sobre mim que não sei, que me resgate uma essência perdida (há essência?) entre racionalizações e relógios. E por isso deixo-me levar por canções como quem se joga em abismos; enamoro-me por melodias, me rasgo e ressurjo das cinzas. Martins faz isso comigo: sinto que o conheço e sinto que ele me conhece numa tal intimidade que só a paixão provoca. A música tem esse poder de aproximar, independente do espaço-tempo.

Martins faz parte da banda Marsa, que tem tocado por alguns lugares em Recife, como a Rua da Moeda e o Coletivo Lugar Comum, e em Olinda, como o Centro Cultural Luiz Freire, a Casa do Cachorro Preto e o Casbah. Pra conhecer o som que ele faz e descobrir onde será sua próxima apresentação, as redes sociais estão aí pra isso!

 

Sou de Pernambuco, sou o leão do norte; eu sou a mosca da sopa; eu sou amor da cabeça aos pés; I am the walrus; acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto; eu sou a diva que você quer copiar; (Taciana Halliday é psicóloga)